Por que a Saint Laurent saiu do calendário de moda de Paris em 2020?

ISTITUTO DI MODA BURGO

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O mundo da moda sofre muito com a pandemia e muitas ações estão sendo repensadas e alteradas para esse novo cenário. Muitas semanas de moda já foram canceladas pelo mundo todo, como a próxima edição do SPFW, a Semana de Alta Costura de Paris e a Semana de Moda Masculina de Milão, ambas que seriam em junho. As próximas semanas de moda internacionais ocorrem em setembro (caso a pandemia realmente esteja controlada e as atividades de eventos restabelecidas em cada país) e cada órgão competente já avalia novos formatos e percepções para realizarem seus desfiles futuramente.

Diante de um cenário totalmente novo e muitas incertezas, a Saint Laurent foi a primeira grande marca a anunciar que não participará do calendário de moda de 2020 de Paris. A grife optará por apresentações realizadas por conta própria e em novos modelos. O diretor criativo Anthony Vaccarello e a CEO Francesca Bellettini falam em entrevista ao WWD que os impactos do COVID-19 são muito grandes e é impossível pensar em fluir os negócios como antes. A grife não descarta participar ano que vem do calendário, mas optou por se retirar nesse momento, dando preferência à apresentações mais intimistas e conectadas com seu público, seus consumidores. 

"Agora, mais do que nunca, a marca vai ditar seu próprio ritmo, legitimizando o valor do tempo e conectando-se com seus clientes globalmente ao se aproximar deles em seus próprios espaços e vidas".


Anthony Vaccarello e Francesca Bellettini

O posicionamento da grife não teve como intuito desafiar autoridades da moda e as semanas atuais, e sim, representar uma percepção de necessidade de mudança de mercado que já existia há muito tempo, mas que não era atendida. O mercado de moda vem mudando e agora é o momento ideal para efetivar todas as percepções anteriores em ações e se adaptar ao novo da melhor maneira possível. Sobre essa vertente, Anthony declara ainda na entrevista que: "É sobre ser positivo, não passivo. Sabemos há anos que algo precisava mudar, e a hora é agora. Não há nenhuma razão para seguir um calendário desenvolvido anos atrás, quando tudo era completamente diferente. Não quero apressar uma coleção só porque tenho um prazo. Nesta temporada, quero apresentá-la quando estiver pronto para isso. O que está fora de moda agora é todo o calendário do sistema: os desfiles, os showrooms e as vendas."

A preocupação da grife nesse momento é conexão com seu cliente final e levar à eles seu trabalho de forma relevante e com emoção. É representar valores através de suas coleções. Todos esses fatores são extremamente relevantes e vem sido repensados na indústria há anos, além das reflexões sobre os calendários de moda atuais que traziam uma moda feita contra o tempo e em formatos engessados e sem inovação ou conexão com o externo. Nesse sentido, Anthony explica que: "Não precisamos de mais um desfile. Precisamos de emoção. Criar algo mais íntimo de alguma forma é muito mais importante agora do que era antes". E ele tem toda razão. Aguardamos ansiosos para saber se mais grifes e marcas repensarão esse cenário também e como as semanas de moda mundiais se portarão nesse novo mundo. 

Para encerrar, Francesca completa de forma inteligentíssima: "Fingir que estamos voltando ao trabalho e que é tudo "business as usual" nos soa estranho. Mas uma coisa não deve nunca mudar: o papel da moda como fonte de inspiração e sonho para todos, colocando assim a criatividade no centro de tudo que fazemos". 

Que o mundo da moda possa continuar sendo essa fonte de inspiração e sonho para todos nós!

Fontes: FFW / Vogue / WWD