Os impactos do Conoravírus na moda

ISTITUTO DI MODA BURGO

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A pandemia do Covid-19, o Coronavírus, está causando mudanças drásticas no mundo todo na tentativa de contenção e prevenção do vírus. Na moda, tudo começou com os impactos da paralisação da China e falta em estoque de matérias primas vindo de lá. Depois, com o encerramento mais cedo da Milan Fashion Week e a Itália toda de quarenta, e agora, não só ela como vários outros países incluindo o nosso. Isso impacta diretamente na economia e na cadeia da indústria, e como ainda não temos previsão de quando tudo se normalizará, não sabemos a real dimensão que esses danos à economia e à cadeia vão gerar. 

Mas o que já já aconteceu até então? Que impactos já foram causados e quais as perspectivas?


EVENTOS

Depois do encerramento antecipado da MFW, outros eventos de grande porte que tem relação indireta com a moda, como o SXSW e o Coachella foram cancelados. Tais eventos reunem pessoas de vários segmentos mas respingam na moda, já que são feitas ações de publicidade e lançamentos de novos produtos, principalmente nos festivais, onde influenciadoras e pessoas do meio utilizam seus looks e viagens para fins publicitários.

No Brasil, eventos de grande magnitude como o festival Lollapalooza e a próxima edição do SPFW também foram cancelados. Para o SPFW, a edição de outubro ainda segue mantida. O Fashion Revolution, que tem como a última semana de abril todo ano com eventos de conscientização na moda pelo mundo todo, com a Fashion Revolution Week, também foram suspensas inclusive no nosso país. 

Falando-se em eventos regionais, o ONDM - O Negócio da Moda, também teve a edição do Paraná cancelada, além de eventos locais como feiras de moda também cancelados, todos sem previsão de novas datas. 

FECHAMENTO DE LOJAS FÍSICAS E PARALISAÇÃO DOS CORREIOS

As lojas de varejo de moda, não só em vários países do exterior mas aqui no Brasil também, estão de portas fechadas. Nunca se viu antes uma paralisação tão grande em todo o país e no mundo. Lojas e marcas em geral de varejo estão usando o recurso de venda online para não paralisarem totalmente, mas até mesmo os Correios, em muitos lugares do Brasil, não estão com suas agências funcionando, impedindo a postagens de mercadorias. Com isso, o mercado está oferecendo descontos e frete grátis para atrair o público e seguir com as vendas e realizarem os envios posteriormente. O que mais preocupa no cenário são os pequenos empreendedores e marcas da área, que podem não suportar esse período de crise.


PAUSA NAS INDÚSTRIAS TÊXTEIS E FÁBRICAS DE MARCAS VARIADAS DE MODA

Além das lojas, as indústrias do setor têxtil em muitos países e aqui no Brasil em partes também estão paradas ou operando com capacidade reduzida, assim como as fábricas de diversas marcas, como Damyller que está com o parque fabril fechado até 30/03 e a Vicunha Têxtil que está com parque fabril reduzido até a mesma data. Tudo isso também vai gerar grandes impactos na cadeia, possíveis cortes e desempregos. Mesmo que estas sejam grandes empresas, o custo de períodos mais longos fechados ou semi operando e sem ter novas demandas também podem causar danos irreversíveis.

Na maior parte das grandes empresas está adotando-se férias coletivas, mas o que tememos é que esse período seja ainda maior.

As perspectivas são de uma grande crise e recessão mundial. Segundo a especialista em previsão de tendencias de comportamento Li Edelkoort, “A epidemia de coronavírus levará a uma recessão global de magnitude nunca antes experimentada, mas eventualmente permitirá que a humanidade redefina seus valores”. Ela ainda acrescenta na entrevista ao site Deezen mais detalhes de sua visão referente à pandemia: 

“Parece que estamos entrando maciçamente em uma quarentena de consumo, onde o impacto do vírus será cultural e crucial para a construção de um mundo alternativo e profundamente diferente”.

“O verdadeiro custo do isolamento na Itália e na China e as medidas que também estão sendo tomadas no Japão e Coreia do Sul, levará a uma recessão global de magnitude que nunca havia sido experimentada antes. Esta não é simplesmente uma crise econômica, mas uma crise de ruptura. As pessoas param de se movimentar, param de sair, param de gastar, param de sair de férias, param de ir a eventos culturais, até mesmo à igreja! A cada novo dia, questionamos cada sistema que conhecemos desde que nascemos e somos obrigados a considerar sua possível morte”.

“Infelizmente neste desastre, não há cura imediata. Teremos que coletar o resíduo e reinventar tudo do zero quando o vírus estiver sob controle. E é aí que eu espero que um outro sistema melhor seja implementado com mais respeito pelo trabalho e pelas condições humanas. No final, seremos forçados a fazer o que já deveríamos ter feito em primeiro lugar”.

“Estamos em uma posição de ter uma página em branco para um novo começo, porque muitas empresas e dinheiro serão eliminados no processo de desaceleração. Redirecionar e reiniciar exigirá muita percepção e audácia para construir uma nova economia com outros valores e formas de lidar com a produção, transporte, distribuição e varejo”.

Fontes: FFW / FFW