O futuro das semanas de moda internacionais será digital?

ISTITUTO DI MODA BURGO

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A pergunta que muitos fazem agora para o mercado de moda é: como as semanas de moda internacionais e os desfiles acontecerão frente à pandemia? As últimas semanas de moda que ocorreram em Paris e Milão, em fevereiro de 2020 já sofreram impactos com o início da pandemia, com desfiles e apresentações de novas coleções em lojas cancelados e e um início de caos generalizado acontecendo. Depois disso, a pandemia se espalhou em diversos países e se intensificou na Europa, fazendo com que as semanas de moda que ocorreriam nos meses seguintes fossem também canceladas e novos formatos fossem pensados, para atender a nova era em que nos encontramos. Aqui no Brasil, por exemplo, a SPFW de abril foi cancelada e estudam-se formatos novos para a edição do segundo semestre.

Shanghai Fashion Week via livestreaming

A primeira semana de moda que aderiu à uma inovação e conseguiu bons resultados foi a Shanghai Fashion Week, que realizou seus desfiles em transmissão 100% online com mais de 150 designers fazendo transmissões ao vivo de suas coleções em uma plataforma de e-commerce do grupo Alibaba. Além das apresentações, alguns estilistas compartilharam suas inspirações com seus fãs em tempo real, além de outros realizarem vendas no formato see now Buy now, com a venda imediata online das peças desfiladas. O evento teve sua transmissão com audiência de 2,5 milhões de pessoas nas 3 primeiras horas, mostrando um alcance imensamente maior nesse formato, comparado ao tradicional.

Em face desse resultado e de uma demanda diferente devido à pandemia, a London Fashion Week anunciou essa semana junto ao British Fashion Council  a adesão ao digital para o próximo evento, em junho. Será realizado em uma plataforma digital especialmente desenvolvida para isso, disponível para lojistas e consumidores finais, durante a semana dos dias 12 à 14/06. Hospedada no site londonfashionweek.co.uk, a plataforma oferecerá a transmissão em tempo real dos desfiles, entrevistas, podcasts, diários dos designers, seminários online e showrooms digitais das marcas. Tudo para que compradores, consumidores finais, profissionais de moda, fãs e toda e qualquer pessoa que queira assistir possam ter a melhor e mais completa experiência. 

O formato definido é para os próximos 12 meses, e nele desfiles femininos e masculinos se fundirão, sem separação de gênero, permitindo uma flexibilização maior para as marcas e designers e uma maior identificação do público também. A ideia é de um evento com viés colaborativo, onde tenhamos conteúdos de designers, marcas e profissionais criativos colaborando com conteúdo multimídia exclusivo. 

De acordo com Caroline Rush, CEO do British Fashion Council: É essencial olhar para o futuro e para a oportunidade de mudar, colaborar e inovar. Muitos de nossos negócios sempre adotaram a London Fashion Week como uma plataforma não apenas da moda, mas também de sua influência na sociedade, identidade e cultura. A atual pandemia leva todos nós a refletir mais pungentemente sobre a sociedade em que vivemos e como queremos viver nossas vidas e criar nossos negócios. (...) Do outro lado desta crise, esperamos que seja sobre sustentabilidade, criatividade e produto que você valoriza, respeita e valoriza. Ao criar uma plataforma cultural da semana da moda, estamos adaptando a inovação digital para melhor atender às nossas necessidades hoje e desenvolver uma vitrine global para o futuro”.


Além do maior alcance de público e da democratização de desfiles abertos ao público do mundo todo, a realização de uma semana de moda digital evita grandes excessos em gastos e poluição: profissionais que viajam do mundo todo até a cidade que sediará os desfiles, lixo acumulado em convites impressos e em cenários caríssimos para caracterizarem os locais dos desfiles (que tem uma duração curta de 20 minutos em média) e que depois são descartados. 

Claro que por trás de tamanha mudança, existem muitos desafios e pontos negativos. O evento de Shanghai teve diversos problemas técnicos nas transmissões, qualidade de vídeo baixa em vídeos pré gravados, que dificultam o entendimento e a clareza do público sobre o tecido/peça desfilada. Além disso, com o digital perde-se muito da emoção única vivida assistindo um desfile ao vivo de forma presencial, da análise de perto das peças, da visita nos showrooms para o ree-see das coleções de pertinho, além do conteúdo riquíssimo em pesquisa do street style das semanas de moda internacionais, perdido, que são termômetros de novas tendências e fontes maravilhosas culturais de moda.

Os desfiles de junho da LFW no formato digital não descartam uma semana de moda presencial em setembro, por exemplo, mas é uma alternativa mais flexível para os designers, caso o futuro da pandemia permita a realização de desfiles e eventos presenciais. Tudo é uma grande incógnita para o futuro da moda, e só nos resta aguardar para ver como o mundo vai reagir diante dessas mudanças e da pandemia. Mas é certo que essa abertura para o digital e a democratização dos acessos aos desfiles já é um passo grande de evolução na área. 

Aguardamos ansiosos pelo futuro da moda!