Como a moda brasileira está se adaptando aos desfiles digitais?

ISTITUTO DI MODA BURGO

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Nosso país passa por momentos delicados com a pandemia do COVID-19, impactos gigantes e momentos de reinvenção em diversas áreas, incluindo a moda. Com a impossibilidade de eventos presenciais, os desfiles de moda e eventos de marcas de moda brasileiras precisam de novos meios e formas de apresentar suas novas coleções e se manterem em contato com seu público. Já havia a necessidade de uma mudança na indústria como um todo e no que tange aos desfiles e eventos também, onde o público em geral e os profissionais da área já vinham saturados com o mesmo formato, coleções sem grandes inovações e um calendário agitado e produzido de forma expressa para cumprir papel, mas não necessariamente representar seu público e seu propósito. 

Carol Trentini para Água de Côco em desfile digital no Carmel Taíba Exclusive Resort, à 75km de distância de Fortaleza contando com apenas duas modelos: Carol e Mari Calazanas e uma equipe de 20 pessoas.

Nesse sentido, a primeira marca à mudar sua apresentação foi a À La Garçonne de Alexandre Herchcovitch, que desfilou em local fechado sem convidados e apresentado ao público de forma digital, em março. Depois disso, tivemos recentemente o desfile da Água de Côco, que realizou sua apresentação digital no dia 29 de julho, em forma de desfile ao vivo para expectadores assistirem com comentários ao vivo pós desfile feitos por convidados em mesa redonda como Renata Kuerten, Claudia Leitte, Silvia Braz e Preta Gil. Não foi nada inovador, mas ainda assim manteve mais perto o público-alvo que é fiel da marca que sempre busca os mega desfiles presenciais, que agora não podem ser feitos. 

E a SPFW?

A maior semana brasileira de desfiles e uma das maiores do mundo teve sua edição 49 cancelada, que seria em abril, e a edição 50 agendada para os dias 4 à 8 de novembro. Paulo Borges afirma em entrevista para o portal Universia que as marcas já estão há meses se preparando para os desfiles, que devem acontecer de forma mesclada entre o presencial (com diversas normas e restrições) e o digital. Não haverá nenhum convidado de fora do país e algumas ações programadas para a edição 50 foram reagendadas para 2021, por conta da pandemia. Está também se pensando em ferramentas para que jornalistas de outras cidades/estados não precisem se deslocar para cobrir o evento. Os desfiles presenciais serão realocados em salas maiores para manter as normas de distanciamento e segurança dos protocolos, além da interação e acessibilidade enorme que teremos com o digital. Mas essas mudanças já vinham sendo discutidas e planejadas antes mesmo da pandemia, e é por isso, segundo Borges, que já poderão ser feitas em novembro. 

Falando sobre os calendários e a desaceleração que muitas marcas internacionais estão trabalhando, saindo de calendários de semanas de moda internacionais ou diminuindo drasticamente o seu ritmo, aqui no Brasil já tínhamos 2 ao invés de 4 semanas de moda de São Paulo. Questionado sobre o assunto, Paulo Borges afirma que seguimos com 2 semanas anuais para que marcas que tenham 2 coleções ao ano possam desfilar, mas que temos muitas que desfilam apenas 1x no ano, e isso é livre para cada uma, seguindo seu próprio ritmo e necessidade perante ao seu público e mercado. Ele complementa que há 5 anos já parou-se de usar nomenclaturas como primavera/verão e outono/inverno para as temporadas de desfiles, já que a velocidade de criação, produção e entrega é muito maior que o tempo entre cada estação.

Agora, o que nos resta é aguardar a chegada de novembro para conferir de "perto", mesmo que digitalmente, os desfiles nacionais e as mudanças que realmente acontecerão na nossa moda!