Capas das revistas de moda pelo mundo com COVID-19

ISTITUTO DI MODA BURGO

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O mundo mudou, a moda mudou e é claro, o mercado jornalístico e editorial de moda também. Com a pandemia instaurada e as atenções voltadas para os países mais afetados no mundo com o COVID-19, além de estarmos todos unidos em um mesmo propósito: a preservação da vida e a luta para a cura do vírus. Todos estão se adaptando à novos estilos de vida, com muitas medidas de prevenção, ritmo de vida desacelerado, uma rotina dentro de 4 paredes e muitas dúvidas e incertezas. Nesse momento, o mundo da moda que normalmente e agitadíssimo e rodeado de pessoas e processos passa por uma transformação obrigatória em todos os sentidos: trabalho online, pausa, reflexão e redefinição de propósitos e relevância. No meio informativo, o que antes era natural para um editorial agora é inviável: ao invés de muitas modelos, cores, texturas e tendências, as fotografias passam a ter um sentido que transcende a peça chave do momento. É hora de mostrar a relevância do mercado em tempos de crise e de luta pela vida. Mas como será que as maiores revistas de moda do mundo estão fazendo isso? Confira:

A Vogue Portugal na sua capa de abril traz uma imagem impactante em preto e branco dos dias de hoje: a liberdade condicionada ao uso de máscaras.

Em outra versão de capa da mesma revista temos a modelo sozinha com um feixe de luz no rosto, representando o isolamento social em casa, em momento de reflexão.

A Vanity Fair Italiana da semana do dia 8/04 trouxe na capa a médica Caterina Conti, de 35 anos, que está atuando em um hospital em Bergamo, na Itália, na luta contra a pandemia. A edição foi toda dedicada à profissionais da saúde e conta com entrevistas de diversos médicos e enfermeiros que estão na linha de frente na Itália, trabalhando em prol da cura nos milhares de infectados. 

Já a próxima capa, da semana que vem, está pronta e traz a bandeira da Itália estampada, com a hashtag criada pela revista e usada em todas as edições durante a pandemia: #L'ITALIASIAMONOI - #AITALIASOMOSNÓS. 

A edição 500 da Vogue Brasil traz Ivete Sangalo coberta de paetês, uma alusão à um corpo totalmente coberto em proteção ao vírus, e na chamada, os novos caminhos da moda em tempos de coronavírus.

A capa mais impactante de todas até o momento: a Vogue Itália de abril em branco. Em mais de 100 anos de revista, essa é a primeira vez que a capa é impressa em branco. Uma ausência de informações que significa muita coisa. Em relato, o diretor chefe da revista, Emanuele Farneti, publicou o seguinte: 

“Algumas pessoas dizem que a razão de existir da Vogue é entreter - oferecer algumas horas de diversão a quem folheia suas páginas. Eu não sei disso. O que eu sei, como você lerá nesta edição, é que, em sua longa história, que remonta a mais de cem anos, esta revista passou por guerras, crises, atos de terrorismo. Sei que sua tradição mais nobre é nunca olhar para o outro lado (talvez o exemplo mais brilhante seja Audrey Withers, que foi editora-chefe da edição britânica durante os ataques aéreos nazistas). Porque, como observou a própria Withers, ser passivo é consentir com o status quo.

Há pouco menos de duas semanas, estávamos prestes a imprimir uma edição que estávamos planejando há algum tempo e que também envolveu a L'Uomo Vogue em um projeto duplo.

Mas falar de qualquer outra coisa - enquanto as pessoas estão morrendo, médicos e enfermeiros estão arriscando suas vidas e o mundo está mudando para sempre - não é o DNA da Vogue Italia. Assim, arquivamos nosso projeto e começamos do zero, com a intenção de fazer três coisas.

A primeira é começar a olhar além dessa turbulência e tentar imaginar um mapa do mundo que nos espera, publicando opiniões de especialistas e sem ceder à autopiedade (há e haverá muito trabalho a ser feito para perder tempo olhando nostalgicamente para trás).

O segundo é reunir nossa comunidade. Mais de 40 artistas, espalhados por todo o mundo e em confinamento total, se disponibilizaram em suas próprias casas para criar o que é efetivamente o primeiro instantâneo que uma revista de moda publicou sobre o novo mundo - todos distantes, ninguém sozinho.

A terceira é possivelmente a mais difícil: a decisão de imprimir uma capa completamente branca pela primeira vez em nossa história. Não porque houvesse falta de imagens - muito pelo contrário. Mas porque branco significa muitas coisas ao mesmo tempo. O branco é antes de tudo respeito. 

O branco é o renascimento, a luz após a escuridão, a soma de todas as cores.
O branco é a cor dos uniformes usados ​​por quem coloca suas próprias vidas em risco para salvar a nossa.

Representa espaço e tempo para pensar, bem como permanecer em silêncio.
O branco é para aqueles que estão preenchendo esse tempo e espaço vazios com idéias, pensamentos, histórias, versos, músicas e cuidados com os outros.

Branco relembra quando, após a crise de 1929, essa cor imaculada foi adotada para as roupas como expressão de pureza no presente e de esperança no futuro.
Branco representa as noites sem dormir daqueles que trabalharam nessa questão, nos dois lados do oceano e em condições complicadas. Sou grato a todos e cada um deles.

Acima de tudo: o branco não se rende, mas uma folha em branco esperando para ser escrita, a página de título de uma nova história que está prestes a começar."

Fontes/Fotos: Vogue BrasilFashion Network, Reprodução/Instagram.